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ÁLVARO DE CAMPOS - HETERÔNIMO DE FERNANDO PESSOA - POEMA TABACARIA

ÁLVARO DE CAMPOS - HETERÔNIMO DE FERNANDO PESSOA - POEMA TABACARIA É com grande satisfação que apresento alguns fragmentos desse que é considerado um dos poemas mais importantes da nossa língua: Tabacaria (fragmentos)   Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade. Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer, Falhei em tudo. Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada. Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Ser o que penso? Mas penso tanta coisa! Serei sempre o que não nasceu para isso; Serei sempre só o que tinha qualidades; Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta, Vivi, estudei, amei e até cri, E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu. Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira, E penso: talvez nunca vivesses nem estudass...