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Mostrando postagens com o rótulo Fernando Pessoa

POESIA DE WILLIAM BLAKE - PROVÉRBIOS DO INFERNO - POEMA

POESIA DE WILLIAM BLAKE - PROVÉRBIOS DO INFERNO - POEMA Polêmico como poucos, segue um poema de William Blake. Próverbios do Inferno No tempo da semeadura, aprende; na colheita, ensina; no inverno, desfruta. Conduz teu carro e teu arado por sobre os ossos dos mortos. A estrada do excesso leva ao palácio da sabedoria. A Prudência é uma solteirona rica e feia, cortejada pela Impotência. Quem deseja, mas não age, gera a pestilência. O verme partido perdoa ao arado. Mergulha no rio quem gosta de água. O tolo não vê a mesma árvore que o sábio. Aquele, cujo rosto não se ilumina, jamais há de ser uma estrela. A Eternidade anda apaixonada pelas produções do tempo. A abelha atarefada não tem tempo para tristezas. As horas de loucura são medidas pelo relógio; mas nenhum relógio mede as de sabedoria. Os alimentos sadios não são apanhados com armadilhas ou redes. Torna do número, do peso e da medida em ano de escassez. Nenhum pássaro se eleva muito, se se eleva com as próprias asas. Um c...

ÁLVARO DE CAMPOS - HETERÔNIMO DE FERNANDO PESSOA - POEMA TABACARIA

ÁLVARO DE CAMPOS - HETERÔNIMO DE FERNANDO PESSOA - POEMA TABACARIA É com grande satisfação que apresento alguns fragmentos desse que é considerado um dos poemas mais importantes da nossa língua: Tabacaria (fragmentos)   Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade. Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer, Falhei em tudo. Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada. Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Ser o que penso? Mas penso tanta coisa! Serei sempre o que não nasceu para isso; Serei sempre só o que tinha qualidades; Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta, Vivi, estudei, amei e até cri, E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu. Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira, E penso: talvez nunca vivesses nem estudass...