Análise e resumo de Capitães da areia, de Jorge Amado, por Fernando Sales
Análise e resumo do livro Capitães da areia, de Jorge Amado, por Fernando Sales
CAPITÃES DE AREIA
Jorge Amado
- Geração de 1930 – engajamento
político, crítica social
- Romance infanto-juvenil
- Forte apelo popular
- Valorização da região (Bahia)
Os Capitães da Areia são
heróicos, "Robin Hood"s
que tiram dos ricos e guardam para si (os pobres). O Comunismo é mostrado como algo bom. No geral, as preocupações
sociais dominam, mas os problemas existenciais dos garotos os transformam em
personagens únicos e corajosos.
Os Capitães da Areia são um grupo de meninos de rua. O livro é dividido
em três partes. Antes delas, no entanto, vai uma seqüência de reportagens e depoimentos, explicando que os Capitães da
Areia é um grupo de menores abandonados e marginalizados, que aterrorizam
Salvador. Os únicos que se
relacionam com eles são Padre José Pedro e uma mãe-de-santo, Don'Aninha. O
Reformatório é um antro de crueldades, e a polícia
os caça como adultos antes de se tornarem um. A primeira parte em si, "Sob
a lua, num velho trapiche abandonado" conta algumas histórias quase
independentes sobre alguns dos principais Capitães da Areia (o grupo chegava a dezenas, morando num trapiche
abandonado, mas tinha líderes). Pedro
Bala, o líder, depois de vencer o
caboclo Raimundo, de longos cabelos loiros e uma cicatriz no rosto, uma
espécie de pai para os garotos, mesmo sendo tão jovem quanto os outros, que
depois descobre ser filho de um líder sindical morto durante uma greve; Volta Seca, afilhado de Lampião, que
tem ódio das autoridades e o desejo de se tornar cangaceiro; Professor, que lê e desenha vorazmente,
sendo muito talentoso; Gato, que com
seu jeito malandro acaba conquistando uma prostituta, Dalva; Sem- Pernas, o garoto coxo que serve de
espião se fingindo de órfão desamparado (e numa das casas que vai é bem
acolhido, mas trai a família ainda assim, mesmo sem querer fazê-lo de verdade);
João Grande, o "negro bom"
como diz Pedro Bala, segundo em comando; Querido-de-Deus, um capoeirista amigo do grupo, que dá algumas
aulas de capoeira para Pedro Bala, João Grande e Gato; e Pirulito, que tem grande fervor religioso. O apogeu da primeira parte
é dividido em, quando os meninos se envolvem com um carrossel mambembe que chegou à cidade, e exercendo sua meninez; e quando a varíola ataca a cidade, matando um deles, mesmo com Padre José
Pedro tentando ajudá-los e indo contra a lei por isso. A segunda parte, "Noite da Grande Paz, da Grande Paz dos teus
olhos", surge uma história de amor quando a menina Dora torna-se a primeira "Capitã da Areia", e mesmo que
inicialmente os garotos tentem tomá-la a força, ela se torna como mãe e irmã para todos. (O
homossexualismo é comum no grupo, mesmo que em dado momento Pedro Bala tente
impedi-lo de continuar, e todos eles costumam "derrubar negrinhas" na
orla.) Professor e Pedro bala se apaixonam por ela, e Dora se apaixona por
Pedro Bala. Quando Pedro e ela são capturados (ela em pouco tempo passa a
roubar como um dos meninos), eles são muito castigados, respectivamente no Reformatório e no Orfanato. Quando
escapam, muito enfraquecidos, se amam
pela primeira vez na praia e ela morre, marcando o começo do fim para os
principais membros do grupo. "Canção
da Bahia, Canção da Liberdade", a terceira parte, vai nos
mostrando a desintegração dos líderes.
Sem-Pernas se mata antes de ser
capturado pela polícia que odeia; Professor
parte para o Rio de Janeiro para se tornar um pintor de sucesso,
entristecido com a morte de Dora; Gato
se torna um malandro de verdade, abandonando eventualmente sua amante
Dalva, e passando por Ilhéus; Pirulito se torna frade; Padre José Pedro finalmente consegue uma
paróquia no interior, e vai para lá ajudar os desgarrados do rebanho do
Sertão; Volta Seca se torna um
cangaceiro do grupo de Lampião e mata mais de 60 soldados antes de ser
capturado e condenado; João Grande
torna-se marinheiro; Querido-de-Deus
continua sua vida de capoeirista e malandro; Pedro Bala, cada vez mais fascinado com as histórias de seu pai
sindicalista, vai se envolvendo com os doqueiros e finalmente os Capitães
de Areia ajudam numa greve. Pedro Bala abandona a liderança do grupo, mas antes
os transforma numa espécie de grupo de choque. Assim Pedro Bala deixa de ser o
líder dos Capitães de Areia e se torna
um líder revolucionário comunista.
Este livro foi escrito na
primeira fase da carreira de Jorge Amado, e notam-se grandes preocupações sociais. As autoridades e o clero são sempre retratados
como opressores (Padre José Pedro é uma exceção mas nem tanto; antes de ser
um bom padre foi um operário), cruéis e responsáveis pelos males. Os Capitães
da Areia são tachados como heróis no estilo Robin Hood. No geral, as
preocupações sociais dominam, mas os problemas existenciais dos garotos os
transformam em personagens únicos e corajosos, corajosos Capitães de Areia de
Salvador.
Personagens
Pedro Bala:
Era um jovem loiro de 15 anos, que tinha um corte no rosto. Era o chefe dos Capitães da Areia, ágil,
esperto, respeitador e sabia respeitar a todos. Saiu do grupo para comandar e organizar os Índios Maloqueiros
em Aracaju, desejando como líder do grupo Barandão. Depois disso ficou
muito conhecido por organizar várias greves, como perigoso inimigo da ordem
estabelecida.
João Grande: Negro, mais alto e mais forte do bando. Cabelo
crespo e baixo, músculos rígidos, tem 13 anos. Seu pai, um carroceiro gigantesco,
morreu atropelado por um caminhão, quando tentava desviar o cavalo para um lado
da rua. Após a morte de seu pai, João Grande não voltou mais ao morro onde
morava, pois estava atraído pela cidade da Bahia. Cidade essa que era negra, religiosa,
quase tão misteriosa como o verde mar. Com nove anos entrou nos Capitães de
areia. Época em que o Caboclo ainda era o chefe. Cedo, se fez um dos chefes do
grupo e nunca deixou de ser convidado para as reuniões que os maiorais faziam
para organizar os furtos. Ele não era chamado para as reuniões porque ele era
inteligente e sabia planejar os furtos, mas porque ele era temido, devido a sua
força muscular. Se fosse para pensar, até lhe doía a cabeça e os olhos ardiam.
Os olhos ardiam também quando viam alguém machucando menores.Então seus
músculos ficavam duros e ele estava disposto a qualquer briga. Ele era uma
pessoa boa e forte, por isso, quando chegavam pequeninos cheios de receio para
o grupo, ele era escolhido o protetor deles. O chefe dos capitães de areia era
amigo de João Grande não por sua força, mas porque Pedro o achava muito bom,
até melhor que eles. João Grande aprende capoeira com o Querido-de-Deus junto
com Pedro Bala e Gato. João Grande tem um grande pé, fuma e bebe cachaça. João
Grande não sabe ler. João Grande ,era chamado de Grande pelo professor,
admirava o professor. O professor achava João Grande um negro macho de verdade.
Dora: Morreu de uma febre muito forte, depois de se
tornar esposa de Pedro Bala*. Morreu como uma santa, pois havia sido boa. *Para
ele, virara uma estrela.
Sem-Pernas: Aproveitava-se de sua deficiência física
para entrar nos lares. Certa vez, quase ficara em um, por ser muito bem
tratado, mas permaneceu fiel ao grupo. Morrera se jogando de um penhasco
(elevador), depois de muito correr fugindo da polícia após um roubo. Ele
preferira morrer do que se entregar.
Professor: Era o leitor e artista da turma. Com seu
dom de pintar, fora ao "Rio de Janeiro" tentar sucesso. Lá com os
quadros dos Capitães da Areia ficou famoso.
Boa-Vida: Era mais um malandro da cidade, que fazia
sambas e cantava pelas ruas, nas calçadas, nos bares, a "vagabundar".
Querido-de-Deus: Ensinava os meninos a lutar
capoeira. Todos no trapiche o admiravam. Era pescador.
Dalva: Era uma mulher de uns trinta e cinco anos, o
corpo forte, rosto cheio de sensualidade. O Gato a desejou imediatamente.
Pirulito: Garoto magro e muito alto, olhos encovados
e fundos. Tinha Hábito de rezar.
Volta-Seca: Mulato sertanejo. Viera da caatinga.
tinha como ídolo o cangaceiro Lampião.
O Gato: Candidato a malandro do bando, era elegante,
gostando de se vestir bem. Tinha um caso com a prostituta, Dalva, que lhe dava
dinheiro, por isso, muitas vezes, não dormia no trapiche. Só aparecia ao
amanhecer, quando saía com os outros, para as aventuras do dia.
João-de-Adão: Estivador, negro
fortíssimo e antigo grevista, era igualmente temido e amado em toda a estiva.
Através dele, Pedro Bala soube de seu pai.
Trecho do livro em que Sem-Pernas
mostra sua indignação com seu estilo de vida
“Todos procuravam um carinho,
qualquer coisa fora daquela vida: o Professor naqueles livros que lia a noite
toda, o Gato na cama de unia mulher da vida que lhe dava dinheiro, Pirulito na
oração que o transfigurava, Barandão e Almiro no amor na areia do cais. O
Sem-Pernas sentia que uma angústia o tomava e que era impassível dormir. Se
dormisse viriam os maus sonhos da cadeia. Queria que aparecesse alguém a quem
ele pudesse torturar com dichotes. Queria uma briga. Pensou em ir acender um
fósforo na perna de um que dormisse. Mas quando olhou da porta do trapiche,
sentiu somente pena e uma doida vontade de fugir. E saiu correndo pelo areal,
correndo sem fito, fugindo da sua angústia.”
- Episódio da troca de caixas (amante
contrata capitães para recuperar uma caixa com cartas comprometedoras)
- Episódio do carrossel (Volta
Seca e Sem-Pernas), a tentativa do padre de pagar para os meninos andarem no
carrossel
- Episódio em que Pedro recupera a
imagem de Ogum (orixá das causas jurídicas) da cadeia
- Episódio em que Pirulito rouba
uma imagem do menino Jesus
- Episódio em que Sem-Pernas é
acolhido com carinho em uma casa de família e a acaba traindo seus donos
- Episódio em que Professor pinta
um homem que lhe chama para sua casa, para lhe ajudar, e Professor não vai
- Episódio em que um menino,
Almiro, pega alastrim (uma espécie de varíola) e é encaminhado para o lazareto
(leprosário), de onde ninguém voltava
- Episódio em que Boa-Vida vai para
o lazareto e volta curado
- Episódio em que uma loirinha de
13 anos, Dora, perde os pais e vai parar, junto com seu irmão de 6 anos, Zé
Fuinha, no trapiche, onde querem estuprá-la, mas acaba ficando como “mãe” de
todos, irmã de alguns e amor de Pedro Bala
- Pedro Bala e Dora são presos e
enviados ela ao orfanato e ele ao reformatório
- No reformatório, Pedro Bala
apanha muito, vai para a cafua (solitária), mas não entrega seus amigos e
consegue fugir com a ajuda deles. Dora também consegue fugir, com a ajuda dos
meninos, mas com uma grande febre. Estão todos no trapiche, e ela sofrendo,
entrega-se a Pedro Bala e morre, logo depois.
- Episódio em que Professor vai
tentar vida como pintor no Rio de Janeiro e assombrar o país
- Episódio em que Pirulito deixa de
roubar e passa a trabalhar honestamente, conseguindo com o auxílio do padre
tornar-se frade. O padre consegue enfim a paróquia que tanto queria, em meio
aos cangaceiros, porque ninguém a queria, mas ele se anima porque cangaceiros
são como capitães de areia crescidos.
- Boa-Vida torna-se o típico
malandro
- Episódio em que Sem-Pernas é
acolhido em casa de uma solteirona, que se oferece todas as noites, mas que não
se entrega completamente. De raiva, ele rouba todo o ouro dela e depois se ri,
furioso, no trapiche, enquanto ela chora.
- Com a alta do cacau,
prostitutas de todo o Brasil foram para Ilhéus, inclusive Dalva, que levou O
Gato, agora já próximo dos 18 anos, e todo chique, um legítimo vigarista!
- Volta Seca foi encontrar os
maloqueiros do sertão e acaba encontrando Lampião e entrando para seu grupo
- Sem-Pernas morre em uma
perseguição policial
- Professor faz sucesso como
pintor no Rio
- O Gato é capturado
- Volta Seca mata 35 pessoas como
cangaceiro e acaba preso, quando chega a 60 marcas. Condenado a 30 anos de
prisão
- João Grande torna-se marinheiro
- Pedro Bala participa da greve
dos condutores e torna-se um revolucionário. É mandado para Aracaju, para
cuidar dos índios Maloqueiros, enquanto Alberto, o estudante que se tornou
amigo do grupo, ficaria com os Capitães de Areia, no que precisasse. Barandão
era o novo chefe.
- Pedro Bala passa a ser
militante importante em cinco estados, lutando contra o sistema, é preso e no
dia que foge os pobres fazem festa
FUVEST
QUESTÃO 14
O romance Capitães da Areia, de Jorge Amado, é um
documento sobre a vida dos meninos de rua de Salvador. A sua primeira edição
(1937) foi apreendida e queimada em praça pública pouco depois de implantada a
ditadura de Getúlio Vargas. No trecho a seguir, o narrador nos conta como Pedro
Bala, aos quinze anos, assumiu a liderança de um grupo que dormia num velho
armazém abandonado do cais do porto.
"É aqui também que mora o chefe dos Capitães da
Areia: Pedro Bala. Desde cedo foi chamado assim, desde seus cinco anos. Hoje
tem quinze anos. Há dez que vagabundeia nas ruas da Bahia. Nunca soube de sua
mãe, seu pai morrera de um balaço. Ele ficou sozinho e empregou anos em
conhecer a cidade. Hoje sabe de todas as suas ruas e de todos os seus becos.
Não há venda, quitanda, botequim que ele não conheça. Quando se incorporou aos
Capitães da Areia (o cais recém-construído atraiu para suas areias todas as crianças
abandonadas da cidade) o chefe era Raimundo, o Caboclo, mulato avermelhado e
forte.
Não durou muito na chefia o caboclo Raimundo. Pedro Bala
era muito mais ativo, sabia planejar os trabalhos, sabia tratar com os outros,
trazia nos olhos e na voz a autoridade de chefe. Um dia brigaram. A desgraça de
Raimundo foi puxar uma navalha e cortar o rosto de Pedro, um talho que ficou
para o resto da vida. Os outros se meteram e como Pedro estava desarmado deram
razão a ele e ficaram esperando a revanche, que não tardou. Uma noite, quando
Raimundo quis surrar Barandão, Pedro tomou as dores do negrinho e rolaram na
luta mais sensacional a que as areias do cais jamais assistiram. Raimundo era
mais alto e mais velho. Porém Pedro Bala, o cabelo loiro voando, a cicatriz
vermelha no rosto, era de uma agilidade espantosa e desde esse dia Raimundo
deixou não só a chefia dos Capitães da areia, como o próprio areal. Engajou
tempos depois num navio.
Todos reconheceram os direitos de Pedro Bala à chefia, e
foi dessa época que a cidade começou a ouvir falar nos Capitães da areia,
crianças abandonadas que viviam do furto."
Jorge Amado, Capitães
da Areia, 50a ed.
Rio de Janeiro: Record, 1980, P. 26/7.
Rio de Janeiro: Record, 1980, P. 26/7.
Pela leitura do texto, pode-se
concluir que o romance pretende denunciar que tipo de problema?
·
A) um problema econômico. (desvalorização
do dinheiro);
·
B) um problema de identidade (sem pai e sem
mãe);
·
C) um problema de social (vagabundo,
preguiçoso);
·
D) um problema educacional (falta de
instrução);
·
E) um
problema social (a questão do menor abandonado).
26. (UFRGS) Assinale V ou F:
II - Em São Jorge dos Ilhéus e
Capitães de Areia, Jorge Amado faz predominar as características culturais do
povo baiano, com a descrição de rituais afro-brasileiros, danças e festas
populares.
V
INSTRUÇÃO: Para responder
às questões, identifique APENAS
UMA ÚNICA alternativa correta e marque a letra correspondente na FOLHA DE
RESPOSTAS.
O trapiche
Sob a lua, num velho trapiche
abandonado, as crianças dormem.
Antigamente aqui era o mar. Nas
grandes e negras pedras dos alicerces do trapiche as ondas ora se rebentavam
fragorosas, ora vinham se bater mansamente. A água passava por baixo da ponte
sob a qual muitas crianças repousam agora, iluminadas por uma réstia amarela de
lua. Desta ponte saíram inúmeros veleiros carregados, alguns eram enormes
pintados de estranhas cores, para a aventura das travessias marítimas. Aqui
vinham encher os porões e atracavam nesta ponte de tábuas, hoje comidas.
Antigamente diante do trapiche se estendia o misterioso mar-oceano, as noites
diante dele eram de um verde escuro, quase negras, daquela cor misteriosa que é
a cor do mar à noite.
Hoje a noite é alva em frente ao
trapiche. É que na sua frente se estende agora o areal do cais do porto. Por
baixo da ponte não há mais rumor de ondas. A areia invadiu tudo, fez o mar
recuar de muitos metros. Aos poucos, lentamente, a areia foi conquistando a
frente do trapiche. (...)
Durante muitos anos foi povoado
exclusivamente pelos ratos que o atravessavam em corridas brincalhonas, que
roíam a madeira das portas monumentais, que o habitavam como senhores
exclusivos. Em certa época um cachorro vagabundo o procurou como refúgio contra
o vento e contra a chuva. Na primeira noite não dormiu, ocupado em despedaçar
ratos que passavam na sua frente. (...) Mas aquele era um cachorro sem pouso
certo e cedo partiu em busca de outra pousada, o escuro de uma porta, o vão de
uma ponte, o corpo quente de uma cadela. E os ratos voltaram a dominar até que
os Capitães da Areia lançaram as suas vistas para o casarão abandonado.
Neste tempo a porta caíra para um
lado e um do grupo, certo dia em que passeava na extensão dos seus domínios
(porque toda a zona do areal do cais, como, aliás, toda a cidade da Bahia,
pertence aos Capitães da areia), entrou no trapiche.
Seria bem melhor dormida que a
pura areia, que as pontes dos demais trapiches onde por vezes a água subia
tanto que ameaçava levá-los.
E desde esta noite uma grande parte dos Capitães da Areia dormia no velho
trapiche abandonado, em companhia dos ratos, sob a lua amarela. Na frente, a
vastidão da areia, uma brancura sem fim. Ao longe, o mar que arrebentava no
cais. Pela porta viam as luzes dos navios que entravam e saíam. Pelo teto viam
o céu de estrelas, a lua que os iluminava.
AMADO, Jorge. Capitães
da Areia.
119 ed. Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 19-20
Questão
Capitães da Areia era o nome dado
a
A)
um grupo de bandidos que dominavam as ruas de Salvador,
na década de 1920.
B)
oficiais que haviam perdido o posto e agora reuniam-se
em um grupo de malfeitores.
C)
uma corporação de estivadores do cais que se uniram
para fazer uma greve contra os baixos salários.
D) um grupo de crianças e adolescentes,
abandonados ou fugidos, que sobreviviam praticando furtos ousados.
E)
uma gangue de marginais que amedrontavam os
trabalhadores do cais da cidade da Bahia e ocuparam o trapiche.
Questão 02
No livro, entre os Capitães da
Areia, vivia apenas uma mulher, Dora. Esta personagem
A) tem um papel importante, encarnando, em
momentos diversos, a figura de mãe, irmã e esposa.
B)
representa a força feminina, nas obras de Jorge Amado,
a partir da questão da prostituição e da marginalização social.
C)
provoca uma série de problemas entre o grupo, que
perduraram até a sua morte, por causa da varíola.
D)
traz alívio para os pequenos que faziam parte do grupo,
porque, enquanto os outros saíam para os roubos, ela se responsabilizava pelos
que ficavam.
E)
tenta conseguir emprego de empregada doméstica, mas não
conseguiu, porque tinha contraído varíola, epidemia que assolou a cidade,
provocando óbitos e medo.
Questão 85 da prova de 2013 (ver)
– FUVEST
UNICAMP
Questão 9
Leia a passagem seguinte, de
Capitães da areia:
Pedro Bala olhou mais uma vez os
homens que nas docas carregavam fardos para o navio holandês. Nas largas costas
negras e mestiças brilhavam gotas de suor. Os pescoços musculosos iam curvados
sob os fardos. E os guindastes rodavam ruidosamente. Um dia iria fazer uma
greve como seu pai... Lutar pelo direito... Um dia um homem assim como João de
Adão poderia contar a outros meninos na porta das docas a sua história, como
contavam a de seu pai. Seus olhos tinham um intenso brilho na noite
recém-chegada. (Jorge Amado, Capitães da areia.
São Paulo: Companhia das Letras,
2008, p. 88.)
a) Que consequências a descoberta
de sua verdadeira origem tem para a personagem de Pedro Bala?
b) Em que medida o trecho acima
pode definir o contexto literário em que foi escrito o romance de Jorge Amado?
Resposta Esperada
a) (2 pontos)
A descoberta da verdadeira origem
de Pedro Bala tem a consequência de atribuir um sentido às ações da personagem.
O que até então fora apenas luta pela
sobrevivência e reação instintiva
contra a violência sofrida, adquirirá
um sentido de missão transformadora, com a superação da alienação política
inicial. De líder de um bando de infratores, sem qualquer consciência
ideológica, Pedro Bala se desenvolverá no sentido de se tornar militante de um
movimento de transformação social, buscando seguir os passos do pai, em quem
passa a se espelhar. Ele almeja para si uma imagem heroica similar à do
pai.
b) (2 pontos)
Jorge Amado pertence à geração
dos romancistas da década de 30. Em
referência a esse período, fala-se geralmente em romance social. O romance é visto como um instrumento de interpretação e de transformação da realidade.
Pode-se acrescentar que a construção de um herói
positivo, no caso desse romance, aproxima o autor da vertente do realismo socialista.
DESCRIÇÃO: Esta é antes de tudo uma dica de leitura, formada por uma análise e um resumo do livro Capitães da areia, de Jorge Amado, escritor modernista brasileiro. Fernando Sales comenta a trajetória dos capitães de areia, tidos como marginais, destacando Pedro Bala, Sem Pernas, Pirulito, O Gato, Dora e outros. Além disso, algumas características de Jorge Amado são destacadas.
O Modernismo, em sua segunda fase, tinha sua vertente regionalista e de denúncia, o que se encontra claramente nessa obra.
Esse livro tem sido cobrado nos vestibulares da Fuvest e da Unicamp.
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